quarta-feira, 7 de agosto de 2013

- É um machucado horrível, doutor.
- Eu sei Paula. Vou colocar um band-aid, você não precisará olhar pra ele.
- Mas eu não quero doutor. O senhor tem merthiolate? Mas daqueles antigos? Daqueles que arde?
- Precisa arder?
- Sim... precisa! Quero lembrar como dói pra não cometer o mesmo erro.
- Não, não tenho.  Mas um band-aid fará cicatrizar sem que você perceba.
- Mas eu não quero que cicatrize.
- Isso é uma metáfora, Paula. O band-aid faz só com que você não olhe e não perceba que é o tempo que está curando tudo.


Batidas na porta da frente... É o tempo!
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento...”.


domingo, 26 de maio de 2013

O magma que se derrama e se resfria formando ROCHAS. Se não fosse a dor não seria você. 
As fezes que adubam a terra dando vida as árvores. Se não fossem as decepções não seria você.
Os animais sacrificados que nos servem proteínas. Se não fossem os cortes, você não saberia se curar e não seria você.
Se não fosse a endorfina responsável pelo esquecimento, e se não fosse você a lutar contra ela... Não seria você. 
Às vezes você quer voltar e apagar tudo o que fez mal, aí você lembra que se voltar e mudar, a vida não teria tomado o mesmo rumo e aí, hoje não seria você.
Se não fosse o abandono, as lágrimas, a fome, as noites frias, as mentiras, o desespero, a morte, a vida, a luta, a volta, a cor, a rocha, o sol, o vento, e os monstros dentro do armário, você não saberia olhar em baixo da cama sem medo.
Por vezes você pensou em culpar alguém,as vezes culpou. Mas se não fosse o mundo não seria você.
E então você descobre que o amor é a única bagagem que você pode levar, e que deve continuar andando. Às vezes como num desenho animado, onde bigornas caem em cima de você o tempo todo, e que há alguém na plateia rindo, mas você precisa continuar andando.
E você teve muitos exemplos durante a vida do que não ser. Então se segure e não tenha medo. Você não pode mudar nada do que passou e se pudesse não seria você. Mas você pode fazer diferente, pode não ser nada disso, pode ser você mesma. Mesmo que no meio dessa confusão você nem saiba quem é você.
Não dá para sofrer quando alguém não quer te ver mais. Quando aquela amiga querida não liga. Quando se manda um email ou SMS urgente com pedido de resposta que nunca chegará. Não vale a pena insistir em um trabalho impossível. Em um amor invariavelmente (porque às vezes é possível conquistá-lo, sim) unilateral. Contrariando todos os livros de auto-ajuda, é preciso saber a hora de voltar ou de ir embora. E isso não é derrota, é sabedoria. Mas você pode se orgulhar por ter passado por tudo isso e ter dado a volta por cima. Ou pode ficar aí chorando. A escolha é sua.

quinta-feira, 16 de maio de 2013


Me desmancho, me recomponho. O peso do mundo nas costas é brincadeira de criança. Sento e refaço os pontos, estou em todos os cantos e isso me cansa. Disfarço as olheiras com cultura – são noites em claro lendo desesperadamente livros onde a mocinha tem final feliz-. Eu sou mocinha? Eu sou a bandida? Quem eu sou, afinal? Poderia te levar onde não existe razão e que não fosse preciso motivos para explicar. Onde apenas eu possa te completar e você me bastar. Mas na maioria das vezes estou muito cansada então proponho esse filme e essa pipoca.  Aceite essa procrastinação, é de todo coração. Proponho um passeio nesse meu devaneio, passeia sua boca em mim? Te espero acordada, na verdade sempre ligada, um pouco de silêncio seria bom dentro da minha cabeça. Mas não pense que é queixa, meu cansaço aparente some de repente se ouço a sua voz. A ideia era um decassílabo, mas como acima foi dito, vence a procrastinação. Ás ideias contrárias, o café na toalha, a chamada perdida, a vida, a vida! Mas se você vem eu repito, pra você eu não minto, e conto direitinho como acho que perdi a razão. Encontro em seus braços esperança, aí eu descanso, em sorrisos ou prantos afinal, sempre cabe ao amor te aliviar do que te cansa.

sábado, 11 de maio de 2013

Essa noite sonhei que você ia embora. Tive medo. Oras, eu não tenho medo de nada. Acordei e fui olhar sua parte no guarda-roupa. Sim, você não sabe, mas aquela parte é sua. Sua blusa ainda tinha seu perfume. Por segundos pedi a Deus que o romance terminasse por medo que o romance terminasse. Você sabe que não sei lidar com o amor. Fui criada na utopia de muitos autores, porém a vida me fez ceticista. Você não tinha o direito de estragar tudo. Hoje eu olho pra trás e enxergo uma vida sem paixão. Obrigada por me fazer descobrir que era tudo uma merda. Toda manhã eu me encorajo como um narcótico anônimo: Só vou amar por hoje. Eu sei que é engano. Quer saber? Eu acho que vou te amar pra sempre. Sim eu sinto ciúmes. E não, eu não vou melhorar ou amadurecer. Eu não sei lidar com isso, e pra falar a verdade eu nem quero. Não vou deixar as coisas que amo livres, mas posso regar os jardins para que fiquem. Se você for, leva metade de mim. A metade que fica não sabe lidar com isso. Se você fica, as metades que se juntam também não sabem lidar com isso. Se eu fosse você teria vergonha por me deixar assim tão patética. Quando você vai Alzira Rufino entoa cânticos nos meus ouvidos, quando você vem, Clarice falcão compõe uma nova musica. Mas eu não sou frágil, eu não sou frágil, eu não sou frágil! Deixa eu deitar no seu colo e te explicar enquanto você me faz cafuné, e me faz sentir segura e plena em seus braços, o quanto eu não sou frágil.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Poucos sabem que a Disney resolveu fazer umas versões dos clássicos, talvez só nós mamães conheçam , ficaram geniais além de hilárias. Tem a historia da chapeuzinho vermelho pelo ponto de vista do lobo mau, a branca de neve não foi expulsa do castelo e sim fugiu de casa por ciúmes do pai e etc. A da cinderela é a mais intrigante. No Cinderela 3 a princesa já havia casado, teve filhos, vivia o seu feliz para sempre, mas, a fada madrinha teve sua varinha roubada pela irmã má de Cinderela, que entregou para madrasta, essa por sua vez voltou ao tempo no momento da prova do sapatinho fazendo com que a irmã calçasse o sapato. Cinderela foi trancada no quarto e quando conseguiu sair, avistou as três megeras na carruagem a caminho do casamento. Analise comigo a situação da menina: A família foi embora, ela ficou com a propriedade inteira e passou de empregada a proprietária. Não seria um final feliz? Não! Cinderela não se acomodou, se fosse uma de nós talvez tivesse chorado comendo Haagen-Dazs na banheira ouvindo Celine Dion. Mas Cinderela foi à luta, invadiu o castelo, foi humilhada, injuriada, mas permaneceu na sua fé, na sua verdade. Ela acreditava no seu final feliz e foi buscá-lo. Bom, amigos, este é o mundo real não é mesmo? No qual você pensa: “Vou ser empresário”, mas não pensa nos impostos, nos contadores ladrões e nos funcionários mal intencionados. Ou então escolhe ser guitarrista de uma grande banda de rock, mas se esquece de que terá que lidar com mídia, com empresários gananciosos e fãs malucas. Às vezes eu acordo com toda garra de dominar o mundo, mas em outros eu só quero um emprego que pague minhas contas, uma casa confortável onde a noite eu possa tomar minha cerveja jogada na frente da TV e uma família que me ame. Moral da historia: Não interessa se o seu sonho é amor ou o dinheiro, o que não pode é ficar acomodado. PS: Gente, não me culpa se isso não fez sentido porque meu analista falou que eu tenho que falar sem pensar e falar o que eu quiser, que é assim que eu descubro os nuances dos meus pensamentos (OLHA QUE LOKO) então é isso, beijos!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Basta um olhar pra saber o que nem os lábios ousam dizer. A voz trancada na garganta... Isso me dá medo e me encanta, mas não tenho coragem pra prosseguir. Sei que não vou resistir, tenho que me decidir, só não sei como começar. Sem falar eu não aguento, sinto soprar no vento a voz que ainda não saí. Nada ou tudo é extinto, digo clarezas, não minto, só não consigo entender. A noite calada e fria traz a ilusão sombria de te ter e perder. Joguei passado no asfalto, ganhei teu coração em um assalto e fiquei surpresa, pois te amava mais que queria. É o coração que bate a razão que rebate e a emoção no empate. O minuto que antecede o beijo, a paz de deitar em seu peito, ainda não sei se vou suportar. O ego fala mais alto, a paixão se embrulha em um saco e o egoísmo o põe porta a fora. Isso não são horas! Vá deitar-se, menina. Amanhã quem sabe o tempo ou um beijo ajeita as coisas no lugar.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Solidão: modo de usar.

Nunca tive medo de ficar sozinha, alias essa ideia era a mais fácil de todas. Quando todas as meninas queriam colocar suas barbies no carro com o Ken, a minha estava planejando a casa, regando o jardim, criando historias mirabolantes sobre o fim do relacionamento das mesmas. Enquanto minhas irmãs faziam comida com matinhos frescos em fogões de mentira, eu tinha um papelão dobrado ao meio imitando um computador onde eu revezava os textos e atendia ao telefone feito do controle remoto. Ás vezes eu acordava, ouvia o movimento da casa e fingia dormir. Gostava de ficar sozinha. Lembro que certo dia minha mãe comprou um quadro de um ambulante e o pendurou bem a frente da minha cama. O quadro era uma paisagem... Parecia uma cidade. Tinha um castelo, uma vila, riachos, enormes áreas verdes e no meio do pasto e do riacho havia uma casa. Simples, bonita na sua simplicidade, dava pra enxergar a chaminé de um fogão à lenha e a varanda reunia todos os tipos de pássaros. Era ali que eu me perdia. Imaginava-me alimentando os pássaros, pescando no riacho, e indo até a vila procurar algo que eu ainda não conhecia, mas que posteriormente todos conheceriam como toddynho. (risos) Quando adolescente colocava meu celular pra despertar de madrugada apenas para ouvir a radio e escrever. Eram versos soltos. Utopia. Cheios de erros de português e acertos da alma. Frases sem concordância que faziam sentido apenas na minha cabeça. Muita coisa hoje em dia só faz sentido na minha cabeça. As prioridades mudaram. Antes era só uma mochila e uma muda de roupa. Hoje preciso de repelente e o carregador do celular. Mas a cabeça continua nas nuvens. Algumas coisas não mudaram. Ainda preciso sair a esmo, dar de ombros pras inconstâncias da vida (e pras minhas), e olhar de soslaio pra quem se acha muito inteligente. Preciso de vento batendo na cara e de um coração acelerado. Preciso de espaço. Preciso de um pequeno espaço. Entre um riacho e um pasto verde. Preciso de musica, de um dia frio e de um bom lugar pra ler um livro. Preciso também apenas ouvir Djavan e fazê-lo parar de ouvir meus pensamentos. Preciso parar de ler Vinicius de Moraes e fazê-lo parar de me ler. Olhos inquietos, mãos frias, e a voz sempre titubeada. Por dentro sou gritos. Preciso desesperadamente de solidão para escuta-los. Pode parecer horrivelmente arrogante, e soar como um “eu me basto”. Não é isso. Preciso de amor como todas as outras pessoas, mas, preciso muito da atenção da pessoa que ocupa o segundo lugar no meu ranking de prioridades (em 1° minha filha), essa pessoa sou eu. Nossa! Como é gostoso ficar comigo, como nos entendemos e nos desentendemos. No final eu sempre dou razão a mim mesmo e fica tudo bem. A solidão de ser você, de não ser escravo de ninguém, a solidão de poder se auto analisar, descobrir onde erra, se preocupar com os erros e não se vangloriar com os acertos. Há muito mais a se corrigir do que se parabenizar sempre. A solidão de ouvir a si mesmo. De ver a si próprio como você é. Sem mascaras. Você não precisa mentir pra você. A liberdade da solidão. Você é o que você faz quando ninguém está vendo. Quando ninguém está me observando eu sou uma camponesa que corre todas as manhãs para o galinheiro a procura de ovos frescos pro café da manhã. E você? Já descobriu qual o seu papel na sua historia? O seu verdadeiro papel. Não aquele que você mostra pros outros. Beijos.